O alerta ganha importância diante do cenário de endividamento das famílias. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), indicam que o percentual de famílias endividadas alcançou entre 81,7% e 82% no segundo semestre, até o mês de setembro. O cartão de crédito aparece em mais de 85% dos casos, enquanto a inadimplência entre os endividados supera 38%, conforme dados recentes apurados pelo portal.
Em entrevista ao MT Econômico, Vitor Brandão, gerente de negócios do Sicredi em Cuiabá, afirma que a primeira decisão não deve ser como pagar, mas se a compra é necessária e compatível com a situação financeira da família. Para ajudar nessa avaliação, ele sugere três perguntas: “Eu posso? Eu preciso? É prioridade?”
A reflexão é especialmente relevante diante das compras parceladas. Uma parcela isolada pode parecer pequena, mas várias prestações acumuladas reduzem o dinheiro disponível para outras despesas. Uma compra de R$ 3 mil dividida em 12 vezes, por exemplo, pode pesar no orçamento ao longo de todo o ano seguinte, sobretudo quando se soma a compromissos já existentes.
Cartão e parcelamento exigem controle
Brandão avalia que o cartão de crédito não é, por si só, o problema. O efeito depende da forma como é usado e de quanto da renda já está comprometida. “A culpa não está naquele pedacinho de plástico; a culpa está no comportamento financeiro que a pessoa tem em relação àquilo”, afirma.
O parcelamento também pode ser útil quando corresponde a uma compra planejada e as prestações cabem no orçamento. O risco, segundo o gerente, é perder de vista o total das obrigações. Na entrevista, ele exemplifica: se uma pessoa recebe R$ 2 mil e destina R$ 1 mil a parcelas, metade da renda já está comprometida, antes mesmo de considerar os gastos essenciais do mês.
Saiba mais em: https://matogrossoeconomico.com.br/economia/black-friday-planejamento-evita-que-descontos-virem-dividas-para-o-ano-que-vem/
